quarta-feira, setembro 17, 2008

No que o Gamis se vira pra mim e diz:

- Uai, mas eu não voto.
- Como assim, "eu não voto"?
- No dia da eleição eu não apareço pra votar.
- Você justifica?
- Não. Simplesemente fico em casa.
- E?
- Depois é só passar no T.R.E., pagar uma multa de 5 reais e estou em dia com a justiça.
- Sério?
- É. Geralmente espero o segundo turno pra acertar tudo de uma vez. Já deve ter umas quatro eleições que faço isso.

E não pude deixar de pensar que mais pessoas deveriam seguir o exemplo de meu estimado colega.

Muitos entendem tal atitude como apolítica. Discordo radicalmente. Sejamos honestos, o brasileiro não sabe votar. Portanto, não deveria fazê-lo. Simples assim. Nada mais consciente, nada mais político que se assumir inapto pra coisa. É mais ou menos como um ateu na igreja, não avacalhe, acompanhe o rito calado, e de quando em quando dê uma espiada nos decotes das moças.

Por isso inicio aqui uma campanha pelo “não-voto”. Imploro a cada brasileiro que venha a ler essas mal traçadas, por favor, pare de fazer merda. Deu. Sério mesmo. Assim como acontece em qualquer outro segmento da vida, se você não sabe fazer algo, não se meta a fazê-lo. Por exemplo, quando seu microondas estraga, você não abre o aparelho para tentar consertá-lo, você aceita resignado sua condição ignorante e o leva até uma autorizada. O mesmo vale pro voto. A verdade é que o brasileiro tem mais respeito pelo aparelho de microondas que pelo voto.

Farei algumas ponderações para justificar meu ponto. A primeira delas, se o voto não fosse obrigatório você sairia de casa pra votar? Se a resposta for negativa, no dia em questão, abstenha-se, justifique, anule ou vote em branco.

(Aliás, nunca soube de um direito que fosse obrigação. Há anos ouço dizer que se trata de uma estratégia para educar o povo, que somente dessa maneira o povo aprenderá a votar. E volto à questão do microondas, você, leitor, pode fazer esse experimento em casa, quando seu microondas estragar, tente consertá-lo e veja o que acontecerá primeiro, se o sucesso do reparo ou o câncer terminal.)

Segundo ponto, se você não se importa, aja como tal. O Estado exige apenas que você compareça ao local de votação, não te obriga a escolher um candidato, lembre-se disso. Aliás, o Estado entende perfeitamente o fato de você não dar a mínima, tanto que destacou uma tecla só para pessoas que pensam assim, a do voto em branco. Fale de política, misture Maquiavel com Walter Benjamin, cuspa uma frase obscura de Churchill, faça com que pareça sua e impressione a sociologazinha hippie que você pretende levar pra cama, mas seja honesto com seu voto e aperte a tecla “eu não me importo”. Gosto muito das pessoas que falam, “vou votar no candidato do Fulano, parece que o sujeito é bom de serviço”, as pessoas escolhem candidatos da mesma forma que escolhem um dermatologista ou um cão de estimação, “late pouco, é ótimo pra apartamento”. Ao contrário do que tentam fazer parecer as campanhas publicitárias, não há nada de errado com não se importar, você já viveu o bastante para saber que, no mais das vezes, eleições são compradas e seu voto é irrelevante.

Por fim, a questão da democracia, pense no ser humano comum, pense em quão estúpido ele é, agora pense que metade é ainda pior. Saber o que é melhor pra si é uma coisa, escolher a pessoa certa para o serviço é outra completamente distinta. Eis o grande problema da democracia, o povo não escolhe soluções, não vota entre um posto de saúde e o aumento do efetivo policial, o povo escolhe pessoas. Se pessoas soubessem escolher outras pessoas, Odair José jamais teria vendido um disco.

"The best argument against democracy is a five-minute conversation with the average voter."
Winston Churchill

quarta-feira, setembro 10, 2008

"O ferrão da morte é o pecado, e a força do pecado é a lei."

(1 Cor 15, 56)