quarta-feira, abril 13, 2011

AMATUS SUM, AMATUS ES, AMATUS EST

quinta-feira, abril 23, 2009

Li num desses sites de fofoca que Susan Boyle, a escocêsa virgem que encantou o mundo com sua voz, recebeu um convite de um milhão de dólares para estrelar um filme pornô. Custo a crer que alguém que aceitaria contracenar com ela por menos que isso.

quarta-feira, março 18, 2009

Lendo o jornal outro dia deparei-me com uma matéria que tinha por título, “Governo faz tabela de seguro para partes do corpo”.

O objetivo do texto não era informar a população acerca de indenizações a serem pagas, via DPVAT, em acidentes automobilísticos, mas criticar a postura governista de incluir a tal tabela numa medida provisória que versava sobre imposto de renda.

Mas o que me chamou atenção mesmo na matéria foi a tabela indenizatória. Listarei aqui, em ordem decrescente, os valores a que o sujeito tem direito e os casos que se aplicam.

$13.500 – Morte ou invalidez permanente; perda completa de ambos os membros, superiores ou inferiores; perda completa da visão em ambos os olhos; lesões de órgãos e estruturas crânio-faciais, cervicais, torácicos, abdominais, pélvicos ou retroperitoneais desde que haja comprometimento de função vital.

$9.450 – Perda completa de um dos membros superiores ou inferiores; perda completa de uma das mãos.

$6.750 – Perda da audição, da fala ou da visão de um olho; perda completa de um dos pés.

$3.375 – Perda completa da mobilidade de um dos ombros, cotovelos, punhos, dedo polegar, quadril, joelho ou tornozelo.

$1.350 – Perda de qualquer um dos dedos do pé; perda de qualquer um dos dedos da mão, exceto o polegar.

Não sei se já comentei aqui no blog, mas tenho dois grandes temores na vida, quebrar a bacia e ficar cego. De cara já me dou conta que o governo não se importa tanto com minha bacia, uma vez que a perda completa da mobilidade do quadril é recompensada com míseros $3.375, tendo uma cotação pior que a perda de três dedos do pé. Creio que ninguém em sã consciência prefira perder a mobilidade do quadril a passar o resto de seus dias usando meia.

Outro aspecto que me pareceu interessante é o seguinte, cada dedo do pé vale $1.350, se perdesse os cinco ganharia $6.750, ou seja, o valor equivalente a um pé completo. Por outro lado, se eu perdesse os cinco dedos da mão, não ganharia o valor de uma mão, vejam bem, quatro dedos ($5.440) mais um polegar ($3.375) igual a $8.775. A planta do pé, ainda que não adequada ao chinelo de dedos, tem lá sua utilidade, mas que diabos vou fazer com uma mão sem dedos? Perceberam a discrepância?

Ainda em tempo, se eu virasse o Capitão Gancho, ou seja, perdesse um dos olhos e uma das mãos, ganharia $16.200, mais do que se eu tivesse perdido a vida num acidente automobilístico. Quem montou essa tabela, meu Deus?

Por fim, seguindo a linha Hook-Frankenstein, tentarei aqui maximizar os ganhos indenizatórios com a menor perda possível da qualidade de vida (o sujeito não será atraente e tampouco muito funcional, mas vai dar pra levar). Cinco dedos de um dos pés e mais três dedos do outro ($10.800), perda da mobilidade completa de um joelho, importante que seja o joelho correspondente ao pé sem dedos, do contrário o equilíbrio ficará comprometido e um andador se fará necessário ($3.375), a mão com menor destreza será perdida ($9.450), o mindinho da mão boa ($1.350), perda da mobilidade do cotovelo da mão menos hábil ($3.375), perda de um dos olhos ($6.750), agora, a gosto do freguês, perda da fala ou audição, particularmente fico com a audição, por acreditar que aprender leitura labial seja mais simples que aprender a linguagem dos sinais ($6.750), e por fim, perfuramento e perda de um dos rins ($13.500). O freak show receberia no total a bagatela de $55350, o equivalente a quatro vidas.

Diante disso eu pergunto, o aspecto que mais chama atenção na matéria é o fato da tabela ter entrado no texto sobre do imposto de renda?

quarta-feira, novembro 12, 2008

ALL THE MADMEN

Day after day
They send my friends away
To mansions cold and grey
To the far side of town
Where the thin men stalk the streets
While the sane stay underground

Day after day
They tell me I can go
They tell me I can blow
To the far side of town
Where it's pointless to be high
'Cause it's such a long way down

So I tell them that
I can fly, I will scream, I will break my arm
I will do me harm
Here I stand, foot in hand, talking to my wall
I'm not quite right at all...am I?

Don't set me free, I'm as heavy as can be
Just my librium and me
And my E.S.T. makes three

'Cause I'd rather stay here
With all the madmen
Than perish with the sadmen roaming free
And I'd rather play here
With all the madmen
For I'm quite content they're all as sane
As me

(Where can the horizon lie
When a nation hides
Its organic minds
In a cellar...dark and grim
They must be very dim)

Day after day
They take some brain away
Then turn my face around
To the far side of town
And tell me that it's real
Then ask me how I feel

Here I stand, foot in hand, talking to my wall
I'm not quite right at all

Don't set me free, I'm as helpless as can be
My libido's split on me
Gimme some good 'ole lobotomy

'Cause I'd rather stay here
With all the madmen
Than perish with the sadmen
Roaming free
And I'd rather play here
With all the madmen
For I'm quite content
They're all as sane as me

Zane, Zane, Zane
Ouvre le Chien

quarta-feira, setembro 17, 2008

No que o Gamis se vira pra mim e diz:

- Uai, mas eu não voto.
- Como assim, "eu não voto"?
- No dia da eleição eu não apareço pra votar.
- Você justifica?
- Não. Simplesemente fico em casa.
- E?
- Depois é só passar no T.R.E., pagar uma multa de 5 reais e estou em dia com a justiça.
- Sério?
- É. Geralmente espero o segundo turno pra acertar tudo de uma vez. Já deve ter umas quatro eleições que faço isso.

E não pude deixar de pensar que mais pessoas deveriam seguir o exemplo de meu estimado colega.

Muitos entendem tal atitude como apolítica. Discordo radicalmente. Sejamos honestos, o brasileiro não sabe votar. Portanto, não deveria fazê-lo. Simples assim. Nada mais consciente, nada mais político que se assumir inapto pra coisa. É mais ou menos como um ateu na igreja, não avacalhe, acompanhe o rito calado, e de quando em quando dê uma espiada nos decotes das moças.

Por isso inicio aqui uma campanha pelo “não-voto”. Imploro a cada brasileiro que venha a ler essas mal traçadas, por favor, pare de fazer merda. Deu. Sério mesmo. Assim como acontece em qualquer outro segmento da vida, se você não sabe fazer algo, não se meta a fazê-lo. Por exemplo, quando seu microondas estraga, você não abre o aparelho para tentar consertá-lo, você aceita resignado sua condição ignorante e o leva até uma autorizada. O mesmo vale pro voto. A verdade é que o brasileiro tem mais respeito pelo aparelho de microondas que pelo voto.

Farei algumas ponderações para justificar meu ponto. A primeira delas, se o voto não fosse obrigatório você sairia de casa pra votar? Se a resposta for negativa, no dia em questão, abstenha-se, justifique, anule ou vote em branco.

(Aliás, nunca soube de um direito que fosse obrigação. Há anos ouço dizer que se trata de uma estratégia para educar o povo, que somente dessa maneira o povo aprenderá a votar. E volto à questão do microondas, você, leitor, pode fazer esse experimento em casa, quando seu microondas estragar, tente consertá-lo e veja o que acontecerá primeiro, se o sucesso do reparo ou o câncer terminal.)

Segundo ponto, se você não se importa, aja como tal. O Estado exige apenas que você compareça ao local de votação, não te obriga a escolher um candidato, lembre-se disso. Aliás, o Estado entende perfeitamente o fato de você não dar a mínima, tanto que destacou uma tecla só para pessoas que pensam assim, a do voto em branco. Fale de política, misture Maquiavel com Walter Benjamin, cuspa uma frase obscura de Churchill, faça com que pareça sua e impressione a sociologazinha hippie que você pretende levar pra cama, mas seja honesto com seu voto e aperte a tecla “eu não me importo”. Gosto muito das pessoas que falam, “vou votar no candidato do Fulano, parece que o sujeito é bom de serviço”, as pessoas escolhem candidatos da mesma forma que escolhem um dermatologista ou um cão de estimação, “late pouco, é ótimo pra apartamento”. Ao contrário do que tentam fazer parecer as campanhas publicitárias, não há nada de errado com não se importar, você já viveu o bastante para saber que, no mais das vezes, eleições são compradas e seu voto é irrelevante.

Por fim, a questão da democracia, pense no ser humano comum, pense em quão estúpido ele é, agora pense que metade é ainda pior. Saber o que é melhor pra si é uma coisa, escolher a pessoa certa para o serviço é outra completamente distinta. Eis o grande problema da democracia, o povo não escolhe soluções, não vota entre um posto de saúde e o aumento do efetivo policial, o povo escolhe pessoas. Se pessoas soubessem escolher outras pessoas, Odair José jamais teria vendido um disco.

"The best argument against democracy is a five-minute conversation with the average voter."
Winston Churchill

quarta-feira, setembro 10, 2008

"O ferrão da morte é o pecado, e a força do pecado é a lei."

(1 Cor 15, 56)

terça-feira, julho 29, 2008

Dediquei meu fim de semana à apreciação do ludopédico. Assisti toda sorte de contendas futebolísticas.

Sábado à tarde assisti o primeiro tempo da partida entre Paraná e Corinthians, minto, creio ter dormido antes mesmo do intervalo. Uma pelada sem precedentes. Não raro identifico os jogos tecnicamente ruins através dos comentários feitos pelos repórteres de campo. Quando o sujeito diz “o técnico do Barueri pediu para o volante Ésley acompanhar o meia Adriano, e para o lateral Marcos Pimentel ficar atento à cobertura do zagueiro”, o jogo é bom, quando o repórter diz, “o dado curioso sobre Márcio Careca é que ele se casou na última quinta-feira, saiu da igreja e foi direto para a concentração”, o jogo é sofrível. E assim foi o embate de sábado, “o detalhe é que o zagueiro William tem tatuado no braço esquerdo a imagem de Nossa Senhora, da qual é devoto, e no braço direito o nome do filho Guilherme”. (Posso ter trocado os braços em que as tatuagens estão, bem como o nome do rebento, que pode ser Gustavo, mas enfim...).

Eis meu ponto, a tatuagem. O que leva o sujeito a tatuar o nome do filho no braço? Sei que ele tem uma predileção pelo nome Guilherme, do contrário seu filho se chamaria Henrique, Saulo ou até mesmo Otávio (nome que aparentemente caiu em desuso na língua brasileira, bem como Orlando e vários outros nomes simpáticos iniciados pela letra “O”). Prova de idiotice, uma vez que o moleque é a “tatuagem” dele no mundo. Outra coisa que me ocorre é o sujeito ter medo de esquecer o nome do filho, chega em casa do treino, cansado, o menino corre em sua direção e ele hesita, “qual é esse mesmo? esse é o...?”, então ele levanta a manga da camisa e lê “Guilherme”, “ahh, Guilhermão”. Seja como for denota uma certa carência de massa cinzenta.

Não sou um grande fã de tatuagens. Entre gravar algo de maneira permanente no meu corpo e comprar uma camiseta com determinada frase ou desenho, fico com a segunda. Se fosse fazer uma tatuagem optaria por algo mais old school, o rosto de Cristo, uma índia, ou qualquer coisa do tipo. Além da grafia do nome do ser amado, outra tatuagem que me irrita profundamente é a da borboleta. Por que diabos alguém opta por tatuar uma borboleta? Nove em dez pessoas dirão que é um símbolo de transformação, de mutação. No que eu pergunto, é o melhor que você consegue pensar? A menos que você seja gay e tenha saído recentemente do armário ou então passado por algum tipo de extreme makeover, não creio que seja a metáfora mais adequada. Transformação de verdade é sair de uma célula e terminar a carreira atirando em gente numa sala de cinema ou pintando o teto da Capela Sistina. Isso sim me parece digno de registro.

segunda-feira, abril 07, 2008

Bill Clinton foi o pioneiro. Esteve em vias de ser impedido devido ao escândalo de assédio sexual envolvendo uma estagiária da Casa Branca. Foi formalmente acusado e tornou-se o primeiro presidente americano da história a ter as dimensões de sua masculinidade documentadas nos anais (sem trocadilho) do judiciário estadunidense.

Há cerca de três semanas, o Governador de Nova Iorque, Eliot Spitzer, renunciou ao cargo. O motivo? Comprovação de seu envolvimento com uma rede de prostituição. Temendo algum escândalo posterior, seu sucessor, antes mesmo de apresentar as diretrizes de governo, foi logo avisando que já traiu a esposa.

A bola da vez é Max Mosley, presidente da FIA (Federação Internacional de Automobilismo). Ele foi flagrado em vídeo participando de uma orgia nazista (tradução literal do termo adotado pelos tablóides britânicos, nazi orgy). O vídeo, filmado no porão de uma casa em Chelsea, mostra o Sr. Mosley acompanhado de cinco prostitutas, algumas vestidas de oficiais nazistas e outras como prisioneiras de campo de concentração.

Além do excêntrico figurino, causou grande comoção o fato de Mad Max dar ordens em alemão e inspecionar o escalpo das “prisioneiras” à procura de piolhos, assim como faziam os nazistas. De resto trata-se de um vídeo sado-masoquista convencional.

A comunidade internacional pede sua cabeça, desde a Federação Israelense de Automobilismo até Rubens Barrichello.

No que eu pergunto, sob qual alegação? De que o Sr. Mosley é sexualmente ativo e dado a algumas perversões? De que ele é um nazista? Até onde sei, preferência sexual (com consentimento das partes envolvidas) e ser adepto do nazismo não configuram crimes. Já fazer apologia ao nazismo e discriminar judeus sim. Caso o ato tivesse ocorrido em praça pública, daí haveria razão para malhar o Judas. Aliás, o Sr. Mosley pretendia dar início a uma campanha contra o racismo no GP de Barcelona, uma vez que Lewis Hamilton foi alvo de discriminação racial por aquelas bandas. Ou seja, na pior das hipóteses, Mad Max não deixa suas convicções particulares interferirem em seu trabalho.

O ponto é muito simples, trata-se de uma fantasia sexual (encenada num lugar privado). Certamente que doentia para alguns, ofensiva para outros, de mau gosto para a maioria. Mas ainda assim, repito, uma FANTASIA. O pai de Mosley era um notório amante das idéias nazistas, provavelmente rígido na educação dos filhos, edipicamente complicado, natural que o sujeito encontre o retorno da satisfação sexual através da punição por um agente nazista, não necessariamente significando que ele próprio seja adepto da filosofia nazista. E convenhamos, cinco prostitutas devidamente caracterizadas é muito mais catártico que qualquer sessão de análise.

Em breve não haverá mais filmes pornôs em que a ação se desenvolva num presídio feminino, sob pena da produtora ser processada pelo sindicado dos carcereiros. As fantasias existem e servem justamente para extravasar uma porção libidinal recalcada. Mais saudável um sujeito pagar uma prostituta para se vestir de criança que praticar atrocidades contra menores. A ideologia do politicamente correto levará as sociedades ocidentais ao ocaso. A partir do momento em que uma fantasia tiver o mesmo valor da realidade objetiva, o sujeito vai preferir beber diretamente da fonte. E esse é um caminho, sem dúvida, muito mais perigoso.

sábado, março 29, 2008

Outro dia, enquanto procurava o caderno de esportes, me deparei com a seguinte manchete no caderno de “Ciência”:

NOVA TEORIA SOBRE A ORIGEM DO UNIVERSO

(Ou qualquer coisa que o valha)

Fiquem tranqüilos, não vou comentar a tal teoria, aliás, sequer li a matéria em questão. E é justamente esse o meu ponto, ninguém, absolutamente ninguém se interessa por isso. As únicas pessoas interessadas no assunto são aquelas que estudam tais eventos, posso até estar enganado, mas não creio que elas ficaram sabendo da suposta descoberta pela Folha de São Paulo. (Cada vez mais a função do jornal é fingir que está informando, mas isso é tema pra outro post). Acredito que falo por todos quando afirmo que o ser humano comum está cagando para origem do universo.

Lembro que num primeiro momento me informaram, “foi Deus quem criou tudo quanto há”. No que perguntei, e quem é esse cara? Grandioso assim? Pai de Jesus? Deu conta de tudo mesmo? Sete dias? Descansou no último? E prédios e pontes? Ahn... mas ele criou o homem também, entendo. Ok, compro a idéia. Fico com o sujeito barbudo de triângulo na cabeça.

Anos mais tarde, nos primeiros estágios de minha educação formal, um professor veio cheio de dedos explicar que a origem do universo não estava em Deus (não que ele não existisse, mas que criação de universo não era bem o departamento dele), mas sim numa grande explosão que liberara matéria cosmo a fora. Bem, me parece mais razoável que um cara com triângulo na cabeça. Ok, compro essa.

Agora novos estudos apontam para a possibilidade dessa história de explosão não ser a mais acertada. Gente, eu comprei a idéia do cara do triângulo, comprei a explosão do nada e vou comprar qualquer coisa que vocês tentarem me vender. Simplesmente porque eu não me importo. Se me disserem que foi o Seu Arnaldo, do 402, que criou o universo, pra mim tá ótimo. Como bem disse o Seinfeld sobre a extinção dos dinossauros, “vocês não resolveram o assassinato do Kennedy, e olha que aquilo foi televisionado”.

quarta-feira, março 12, 2008

- O problema de você vender isso em dvd é a pirataria. Chega uma hora que neguinho pára de comprar o produto.
- Pirataria é até bom num primeiro momento, ajuda na divulgação.
- Isso é verdade.
- E se o preço não for extorsivo, o sujeito prefere o original.
- Eu até baixo coisa da internet, aliás, baixo direto, mas na rua eu não compro. Questão ideológica, não vou dar dinheiro pra vagabundo e nem patrocinar o CRIME... - no que ele se vira pra mim, que até então só acompanhava o diálogo, e pergunta - Né, não?
- Não sei, meu caro, eu fumo maconha, patrocino o crime diretamente. Comprar cd pirata passa longe de ser uma questão moral.

segunda-feira, março 10, 2008

- Boa tarde. O senhor poderia contribuir com a ONG Amigos dos Autistas?
- Sinto, mas autista não tem amigos.

quarta-feira, março 05, 2008

Ontem, conversando com uma mocinha, ouvi a melhor definição de todas sobre a cidade de São Paulo.

"É um lugar triste demais, parece que o pai de todo mundo morreu no mesmo dia."

terça-feira, janeiro 29, 2008

"When the seagulls follow the trawler, it's because they think sardines will be thrown in to the sea"

sexta-feira, dezembro 21, 2007

Falando sério, alguém já parou de fumar por causa daquelas fotos que vêm no verso dos maços de cigarros? Qual o ponto daquelas fotos? Pra mim é tratar a população como um bando de retardos mentais. Explico, estejam certos de que o fumante é quem mais conhece os malefícios do cigarro, alguém já ouviu um fumante dizer, “uau, desde que comecei a fumar ganhei 4 quilos, os alimentos ficaram mais saborosos, passei a ter fôlego pra correr três vezes por semana, me sinto mais bem disposto e não fico exausto com as mínimas tarefas cotidianas?”, claro que não, ou seja, você não precisa contar pr’um fumante o mal que o cigarro faz, isso é a coisa mais estúpida que eu já vi, (outro dia liguei pra TAM, depois de falar com a atendente eletrônica me colocaram na espera, uma propaganda, uma música ruim, outra propaganda, a mesma música ruim, até que começaram a fazer propaganda do número que eu acabara de discar, “se você precisar da nossa central de atendimento, basta discar tal número”, EU SEI DISSO, EU ACABEI DE LIGAR PRA CENTRAL DE ATENDIMENTO, é mais ou menos o que fazem com o fumante), antigamente havia somente os dizeres, “O Ministério da Saúde adverte: Fumar é prejudicial à saúde”, me parece ótimo isso, é o Ministério dizendo, “olha, eu sei que você sabe, mas, entende né, agora eu tenho a obrigação de te dar um conselho”, uma espécie de mãe estatal, com as fotos o Ministério da Saúde quer dizer mais ou menos o seguinte, “Não entendeu, mongolzão? Então eu desenho”. O próximo passo é dizer que já cansou de falar e agora vai colocar de castigo.

Um argumento utilizado pelos defensores das fotos é o da prevenção, ou seja, a conscientização de jovens mentes dos malefícios do tabagismo. Esse talvez seja o argumento mais otimista (pra ser eufemístico) que já ouvi em toda minha vida. Analisemos como realmente funciona a coisa sob a ótica de uma criança de sete anos. Antes de mais nada, ela vai olhar a foto e pensar, “puxa, o conteúdo dessa caixinha tanto pode deixar sua boca deformada, quanto matar um rato, ou mesmo, na cama, te deixar sem camisa e cabisbaixo ao lado de uma mulher de gosto duvidoso”, a questão é que, num segundo momento, a criança começa pensar, “mas alguma coisa tem aí, pensando bem, o cigarro faz todas essas coisas horríveis e mesmo assim aquele sujeito fuma?, esse negócio deve ser a melhor coisa do mundo”. Um verdadeiro desfavor. Fico pensando se a criança visse a cara do cidadão em questão acendendo um cigarro logo após não ficar cabisbaixo, ia virar garoto propaganda da Souza Cruz. Lembro-me que, por volta dos sete ou oito anos, lia os livros da coleção “E Agora Você Decide”, pra quem não conhece, a coleção funciona mais ou menos assim, as três primeiras páginas introduzem uma história qualquer, uma excursão de colégio, visita a uma casa abandonada, uma ida ao zoológico, em seguida há uma virada no enredo, por exemplo, no caso do guri que foi ao zoológico, ele derruba seu boné dentro do viveiro dos gorilas, e no rodapé da página há duas opções, “se você decide procurar o tratador de animais, vá até a página 23”, “se você pretende entrar no viveiro e tentar pegar o boné de volta, vá até a página 17”, e duas ou três páginas adiante havia uma nova situação em que o garoto deveria fazer uma escolha entre duas outras opções, enfim, os livros iam nessa até o pequeno salvar o dia ou acabar morrendo (em geral eram uns cinco finais diferentes por livro). Meu ponto é o seguinte, invariavelmente minha primeira leitura do livro acabava com o guri se estrepando. Eu sempre entrava no viveiro dos gorilas, sempre abria a porta do fim do corredor e sempre apertava o botão vermelho. A lógica é muito simples, não deixem a criança derrubar o boné, desde a mais tenra idade ela sabe que não deveria estar fumando, ela não precisa ser informada disso, o truque consiste em não fazê-la se questionar por que ela DEVERIA estar fumando.

segunda-feira, novembro 12, 2007

Uma singela homenagem àquele que era considerado (inclusive por mim) o maior escritor americano vivo. Rest in peace, Mr. Norman Mailer, autor de pérolas como "A Luta" (sobre o combate Ali x Foreman), "Os Machões não Dançam", "Os Exércitos da Noite", "A Canção do Carrasco", e o meu preferido, donde a passagem abaixo é retirada, "Os Nus e os Mortos".


“Croft pensou na noite em que os japoneses tentaram atravessar o rio. Sentiu um arrepio percorrer-lhe a espinha e contemplou longamente o prisioneiro. Uma emoção poderosa, mas indefinível, fê-lo cerrar os dentes. Desprendeu o cantil e tomou um gole. Notou que o prisioneiro o observava. Num impulso deu-lhe o cantil.

- Vai, bebe – disse Croft, e ficou a olhar a avidez com que o prisioneiro se dessedentava.
- Eu me dane se entender isso – disse Gallagher. – Que foi que deu em você?

Croft não respondeu. Olhava o prisioneiro, que já tinha acabado de beber. Havia lágrimas de alegria no rosto do japonês, e, de repente, ele sorriu e apontou para um dos bolsos de sua túnica. Croft tirou de lá uma carteira e abriu-a. Encontrou uma fotografia do soldado japonês à paisana, tendo ao lado a mulher e duas crianças de carinhas redondas de bonecas. O soldado apontou para si mesmo e depois fez dois gestos com a mão acima do solo para indicar a altura dos meninos.

Gallagher olhou a fotografia e sentiu uma dor cruciante. Por um momento lembrou-se de sua mulher e perguntou a si mesmo como seria seu filho quando nascesse. Tomou um susto ao dar-se conta de que sua mulher talvez estivesse dando à luz neste momento. Por alguma razão, que ele mesmo não entendia, disse de repente ao japonês:

- Meu garoto vai nascer por esses dias.

O prisioneiro sorriu polidamente, e Gallagher, apontando encolerizado para si mesmo, estendeu as mãos separadas uns vinte centímetros uma da outra.

- Meu – disse ele – meu.
- Ahhhhhhh – disse o prisioneiro – Chiisai!
- Sim, tchiz-ai – repetiu Gallagher.

O prisioneiro meneou a cabeça lentamente e tentou sorrir.

Croft aproximou-se dele e deu-lhe outro cigarro. O soldado japonês inclinou a cabeça quase até o chão e aceitou o fósforo.

- Arigato, arigato, domo arigato – disse ele.

Croft sentiu a cabeça palpitar com intenso alvoroço. Havia lágrimas outra vez nos olhos do prisioneiro, e Croft olhou-as com indiferença. Depois passeou a vista pela clareira e viu uma mosca pousada na boca de um dos cadáveres.

O prisioneiro tirou uma longa baforada. Estava agora recostado no tronco da árvore. Seus olhos tinham se fechado, e pela primeira vez havia uma expressão sonhadora em seu rosto. Croft sentiu uma tensão formar-se na garganta, deixando a boca seca, amarga, ávida. Até então estivera com a mente vazia, mas, de súbito, levantou o fuzil e apontou-o pra cabeça do prisioneiro. Gallagher ia protestar, quando o prisioneiro abriu os olhos.

O japonês não teve tempo de mudar a expressão do rosto antes que a bala lhe estourasse o crânio. Tombou para frente e depois rolou de lado. Ainda sorria, mas tinha um ar estúpido agora.

Gallagher tentou novamente dizer alguma coisa, mas não conseguiu. Sentiu um medo terrível e, por um instante, voltou a pensar em sua mulher. Oh meu Deus, salvai Mary, meu Deus, salvai Mary, repetia para si sem pensar na significação das palavras.

Durante quase um minuto Croft fitou o japonês. Sua pulsação tornava-se mais lenta e a tensão na garganta e na boca se atenuava. Compreendeu, num átimo, que uma parte do seu cérebro, a mais escondida, soubera que ele ia matar o prisioneiro desde o momento em que mandara Red embora. Sentia-se totalmente vazio agora. O sorriso estampado no rosto do morto divertia-o, e uma risada galhofeira escapou-lhe da boca aos borbotões.

- Caramba – disse ele. Pensou de novo nos japoneses cruzando o rio e empurrou o cadáver com o pé. – Caramba – repetiu – esse japonês morreu feliz. – O riso engrossava dentro dele.”