segunda-feira, abril 07, 2008

Bill Clinton foi o pioneiro. Esteve em vias de ser impedido devido ao escândalo de assédio sexual envolvendo uma estagiária da Casa Branca. Foi formalmente acusado e tornou-se o primeiro presidente americano da história a ter as dimensões de sua masculinidade documentadas nos anais (sem trocadilho) do judiciário estadunidense.

Há cerca de três semanas, o Governador de Nova Iorque, Eliot Spitzer, renunciou ao cargo. O motivo? Comprovação de seu envolvimento com uma rede de prostituição. Temendo algum escândalo posterior, seu sucessor, antes mesmo de apresentar as diretrizes de governo, foi logo avisando que já traiu a esposa.

A bola da vez é Max Mosley, presidente da FIA (Federação Internacional de Automobilismo). Ele foi flagrado em vídeo participando de uma orgia nazista (tradução literal do termo adotado pelos tablóides britânicos, nazi orgy). O vídeo, filmado no porão de uma casa em Chelsea, mostra o Sr. Mosley acompanhado de cinco prostitutas, algumas vestidas de oficiais nazistas e outras como prisioneiras de campo de concentração.

Além do excêntrico figurino, causou grande comoção o fato de Mad Max dar ordens em alemão e inspecionar o escalpo das “prisioneiras” à procura de piolhos, assim como faziam os nazistas. De resto trata-se de um vídeo sado-masoquista convencional.

A comunidade internacional pede sua cabeça, desde a Federação Israelense de Automobilismo até Rubens Barrichello.

No que eu pergunto, sob qual alegação? De que o Sr. Mosley é sexualmente ativo e dado a algumas perversões? De que ele é um nazista? Até onde sei, preferência sexual (com consentimento das partes envolvidas) e ser adepto do nazismo não configuram crimes. Já fazer apologia ao nazismo e discriminar judeus sim. Caso o ato tivesse ocorrido em praça pública, daí haveria razão para malhar o Judas. Aliás, o Sr. Mosley pretendia dar início a uma campanha contra o racismo no GP de Barcelona, uma vez que Lewis Hamilton foi alvo de discriminação racial por aquelas bandas. Ou seja, na pior das hipóteses, Mad Max não deixa suas convicções particulares interferirem em seu trabalho.

O ponto é muito simples, trata-se de uma fantasia sexual (encenada num lugar privado). Certamente que doentia para alguns, ofensiva para outros, de mau gosto para a maioria. Mas ainda assim, repito, uma FANTASIA. O pai de Mosley era um notório amante das idéias nazistas, provavelmente rígido na educação dos filhos, edipicamente complicado, natural que o sujeito encontre o retorno da satisfação sexual através da punição por um agente nazista, não necessariamente significando que ele próprio seja adepto da filosofia nazista. E convenhamos, cinco prostitutas devidamente caracterizadas é muito mais catártico que qualquer sessão de análise.

Em breve não haverá mais filmes pornôs em que a ação se desenvolva num presídio feminino, sob pena da produtora ser processada pelo sindicado dos carcereiros. As fantasias existem e servem justamente para extravasar uma porção libidinal recalcada. Mais saudável um sujeito pagar uma prostituta para se vestir de criança que praticar atrocidades contra menores. A ideologia do politicamente correto levará as sociedades ocidentais ao ocaso. A partir do momento em que uma fantasia tiver o mesmo valor da realidade objetiva, o sujeito vai preferir beber diretamente da fonte. E esse é um caminho, sem dúvida, muito mais perigoso.