sexta-feira, dezembro 21, 2007

Falando sério, alguém já parou de fumar por causa daquelas fotos que vêm no verso dos maços de cigarros? Qual o ponto daquelas fotos? Pra mim é tratar a população como um bando de retardos mentais. Explico, estejam certos de que o fumante é quem mais conhece os malefícios do cigarro, alguém já ouviu um fumante dizer, “uau, desde que comecei a fumar ganhei 4 quilos, os alimentos ficaram mais saborosos, passei a ter fôlego pra correr três vezes por semana, me sinto mais bem disposto e não fico exausto com as mínimas tarefas cotidianas?”, claro que não, ou seja, você não precisa contar pr’um fumante o mal que o cigarro faz, isso é a coisa mais estúpida que eu já vi, (outro dia liguei pra TAM, depois de falar com a atendente eletrônica me colocaram na espera, uma propaganda, uma música ruim, outra propaganda, a mesma música ruim, até que começaram a fazer propaganda do número que eu acabara de discar, “se você precisar da nossa central de atendimento, basta discar tal número”, EU SEI DISSO, EU ACABEI DE LIGAR PRA CENTRAL DE ATENDIMENTO, é mais ou menos o que fazem com o fumante), antigamente havia somente os dizeres, “O Ministério da Saúde adverte: Fumar é prejudicial à saúde”, me parece ótimo isso, é o Ministério dizendo, “olha, eu sei que você sabe, mas, entende né, agora eu tenho a obrigação de te dar um conselho”, uma espécie de mãe estatal, com as fotos o Ministério da Saúde quer dizer mais ou menos o seguinte, “Não entendeu, mongolzão? Então eu desenho”. O próximo passo é dizer que já cansou de falar e agora vai colocar de castigo.

Um argumento utilizado pelos defensores das fotos é o da prevenção, ou seja, a conscientização de jovens mentes dos malefícios do tabagismo. Esse talvez seja o argumento mais otimista (pra ser eufemístico) que já ouvi em toda minha vida. Analisemos como realmente funciona a coisa sob a ótica de uma criança de sete anos. Antes de mais nada, ela vai olhar a foto e pensar, “puxa, o conteúdo dessa caixinha tanto pode deixar sua boca deformada, quanto matar um rato, ou mesmo, na cama, te deixar sem camisa e cabisbaixo ao lado de uma mulher de gosto duvidoso”, a questão é que, num segundo momento, a criança começa pensar, “mas alguma coisa tem aí, pensando bem, o cigarro faz todas essas coisas horríveis e mesmo assim aquele sujeito fuma?, esse negócio deve ser a melhor coisa do mundo”. Um verdadeiro desfavor. Fico pensando se a criança visse a cara do cidadão em questão acendendo um cigarro logo após não ficar cabisbaixo, ia virar garoto propaganda da Souza Cruz. Lembro-me que, por volta dos sete ou oito anos, lia os livros da coleção “E Agora Você Decide”, pra quem não conhece, a coleção funciona mais ou menos assim, as três primeiras páginas introduzem uma história qualquer, uma excursão de colégio, visita a uma casa abandonada, uma ida ao zoológico, em seguida há uma virada no enredo, por exemplo, no caso do guri que foi ao zoológico, ele derruba seu boné dentro do viveiro dos gorilas, e no rodapé da página há duas opções, “se você decide procurar o tratador de animais, vá até a página 23”, “se você pretende entrar no viveiro e tentar pegar o boné de volta, vá até a página 17”, e duas ou três páginas adiante havia uma nova situação em que o garoto deveria fazer uma escolha entre duas outras opções, enfim, os livros iam nessa até o pequeno salvar o dia ou acabar morrendo (em geral eram uns cinco finais diferentes por livro). Meu ponto é o seguinte, invariavelmente minha primeira leitura do livro acabava com o guri se estrepando. Eu sempre entrava no viveiro dos gorilas, sempre abria a porta do fim do corredor e sempre apertava o botão vermelho. A lógica é muito simples, não deixem a criança derrubar o boné, desde a mais tenra idade ela sabe que não deveria estar fumando, ela não precisa ser informada disso, o truque consiste em não fazê-la se questionar por que ela DEVERIA estar fumando.